Padre Guilherme Herminio

Permanecei no meu amor

“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor.”
(João 15,9)

Em João 15,9-17, Jesus nos conduz ao coração de sua relação com o Pai e nos revela uma das verdades mais belas da fé cristã: somos amados com um amor que tem sua origem no próprio Deus. “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei.” Não se trata de um amor passageiro, condicionado às circunstâncias ou dependente dos nossos méritos. É um amor fiel, profundo e capaz de transformar inteiramente a nossa vida.

Por isso, Jesus não diz apenas: “Eu vos amo”. Ele acrescenta um convite: “Permanecei no meu amor.” Permanecer significa fazer morada, criar raízes, não abandonar. Cristo deseja que seu amor não seja apenas uma experiência ocasional em nossa caminhada, mas o lugar onde aprendemos a viver todos os dias.

Permanecer é escolher Cristo todos os dias

A vida espiritual é feita de encontros com Deus, mas também de perseverança. Há momentos em que sentimos profundamente sua presença; em outros, atravessamos o silêncio, as provações, o cansaço e até mesmo a aridez na oração. É justamente nesses momentos que a palavra de Jesus ganha ainda mais força: “Permanecei.”

Permanecer no amor de Cristo significa continuar confiando quando não compreendemos, continuar rezando quando não sentimos consolação, continuar buscando a vontade de Deus quando nossos próprios desejos parecem apontar para outro caminho.

Jesus nos ensina também que esse permanecer está profundamente ligado à obediência: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” A obediência cristã não nasce do medo, mas do amor. Quem ama deseja viver segundo a vontade daquele que ama. Guardar os mandamentos é permitir que o Evangelho molde nossas escolhas, nossos relacionamentos, nossas palavras e nossas atitudes.

“Amai-vos uns aos outros”

O amor recebido de Cristo não pode permanecer fechado dentro de nós. Ele precisa transbordar. Por isso, Jesus nos entrega um mandamento muito concreto:

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.”
(João 15,12)

Aqui está a medida do amor cristão: amar como Jesus amou.

E como Ele nos amou? Entregando-se. Servindo. Perdoando. Aproximando-se dos pequenos. Acolhendo os pecadores. Tendo compaixão dos que sofrem. E, finalmente, oferecendo a própria vida na Cruz.

Por isso, o verdadeiro amor cristão não pode permanecer somente nas palavras. Ele se torna serviço, paciência, misericórdia, perdão, cuidado e doação. Amar como Cristo significa aprender, pouco a pouco, a colocar o bem do outro acima do nosso egoísmo.

“Eu vos chamo amigos”

Existe ainda uma palavra profundamente consoladora nessa passagem: Jesus nos chama de amigos.

O Senhor não deseja estabelecer conosco uma relação distante. Ele quer intimidade. Quer que conheçamos seu coração, escutemos sua Palavra e caminhemos ao seu lado. Na oração, na Eucaristia, na escuta da Palavra e na vida da Igreja, essa amizade com Cristo cresce e amadurece.

Quanto mais permanecemos perto de Jesus, mais aprendemos quem verdadeiramente somos. O mundo pode tentar definir nosso valor pelo sucesso, pela aparência, pelas conquistas ou pelo reconhecimento das pessoas. Cristo, porém, nos recorda algo muito maior: antes de qualquer coisa, somos amados por Deus.

“Não fostes vós que me escolhestes”

Jesus ainda nos recorda: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.” (Jo 15,16)

Nossa caminhada com Deus começa sempre por uma iniciativa da graça. Antes que o procurássemos, Ele já nos procurava. Antes que aprendêssemos a amá-lo, já éramos amados. E aquele que nos escolheu também nos envia: “Eu vos designei para irdes e para que produzais fruto.”

Quem permanece no amor de Cristo produz frutos.

Frutos de paz onde existe divisão.
Frutos de esperança onde existe desânimo.
Frutos de perdão onde existem feridas.
Frutos de caridade onde existe indiferença.
Frutos de fé onde tantos já perderam a esperança.

O discípulo não permanece junto de Jesus apenas para receber seu amor, mas para tornar esse amor visível no mundo.

Permanecer para dar frutos

Talvez uma das maiores tentações da vida espiritual seja querer caminhar sozinho. Mas Jesus nos mostra outro caminho. Nossa força não está simplesmente em tentar fazer tudo perfeitamente, mas em permanecer unidos a Ele.

Quando permanecemos em Cristo, descobrimos que não precisamos enfrentar a vida apenas com nossas próprias forças. Somos sustentados por um amor maior que nossas fraquezas, nossas quedas e nossos medos.

Hoje, a Palavra de Deus nos faz uma pergunta simples e profunda: onde temos permanecido?

Em nossas preocupações? Em nossas feridas? No medo do futuro? Na necessidade de aprovação? Ou no amor de Cristo?

Jesus continua repetindo ao nosso coração:

“Permanecei no meu amor.”

Que essa palavra se transforme em nosso propósito diário. Que permaneçamos em Cristo quando tudo estiver bem e também quando vierem as dificuldades. Que permaneçamos fiéis à sua Palavra, próximos da Eucaristia, perseverantes na oração e atentos às necessidades dos irmãos.

E que, permanecendo no amor de Jesus, aprendamos também a amar como Ele nos amou: sem medidas, sem reservas e com a coragem de fazer da própria vida uma oferta de amor.

Senhor Jesus, ensina-nos a permanecer em vosso amor. Que nossa vida esteja sempre unida a Vós e que, alimentados pela vossa Palavra e pela Eucaristia, possamos produzir frutos de santidade, caridade e esperança. Fazei-nos compreender cada dia mais a grandeza do vosso amor e concedei-nos a graça de amar nossos irmãos como Vós nos amastes. Amém.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima